Porque a cabeça, o corpo e o coração estavam completamente conectados com a estrada.
Foram aproximadamente 4 mil quilômetros rodados em 12 dias, mais especificamente, 60 horas de estrada, atravessando quatro estados, dezenas de cidades, rios gigantescos, cachoeiras escondidas, estradas de terra, campings silenciosos, parques lotados, conversas improváveis e muitos contrastes desse Brasil que parece nunca acabar.
Saímos de Guaratinguetá no dia 6 de maio de 2026, por volta das 9h10 da manhã, rumo a Santa Fé do Sul, interior de São Paulo, divisa com Mato Grosso. Mais de 700 quilômetros pela frente. O Fiat Mobi marcava 4.272 km quando começou oficialmente essa aventura.
Pela Dutra, Dom Pedro e Bandeirantes, fomos conquistando quilômetros enquanto o cenário mudava pela janela. Almoçamos no Graal e seguimos viagem até chegar, por volta das 19h15, ao Camping Águas Claras, em Santa Fé do Sul. Logo na chegada, fomos recebidos pelo simpático Rafael, porteiro do camping, que nos contou ser doido para conhecer Aparecida, minha terra natal.
No dia 7 de maio, conhecemos um pouco mais da região e do Rio Paraná, um gigante que nasce justamente ali, no encontro dos rios Paranaíba e Grande, e segue até desembocar já na Argentina, na região de Corrientes. O camping custava R$ 30 por barraca e tinha aquele clima simples e acolhedor de interior.
Foi onde caminhamos na beira do Rio e eu alimentei uns macaquinhos, junto da Sirley, uma funcionária muito antiga e fiel escudeira do local.
Seguimos estrada e atravessamos a ponte que marca a divisa entre estados e o encontro dos rios. Passamos por Aparecida do Taboado, e, é claro que a moda "60 dias apaixonado" tocou no rádio.
No estado, ganhamos uma hora no fuso horário. Almoçamos em Cassilândia antes de seguir rumo a Goiás, pela GO-184.
Já na pousada/camping, fomos conhecer uma piscina natural. Ali vimos araras, cotias e também conhecemos o pedreiro e cantor Júlio César, dono de um talento impressionante (@julio_cesar4561). O lugar tinha ótima estrutura, embora as trilhas até as rochas com pinturas rupestres fossem cobradas à parte.
Cotias marcam presença em diversos locais dessa regiãio do país. Por falar nisso, em Goiás e nos dois Matos Grossos, as cotias estão altamente acostumadas à presença humana onde há proteção e comida fácil, agindo quase como "bichinhos de estimação" comunitários, mas preservam intacto o seu código genético de sobrevivência nas áreas de mata aberta. Elas são até os mascotes oficiais de alguns campins, como são os casos da Pousada da Araras e Camping Ravenala.
Localizada no município de Serranópolis, no sudoeste de Goiás, a Pousada das Araras abriga uma Reserva Particular do Patrimônio Natural que guarda um dos complexos arqueológicos mais importantes da América Latina (ao fundo dessa foto). Protegidos por imponentes paredões rochosos e grutas recortadas no Cerrado, os sítios da propriedade, como a célebre Gruta do Diogo e a "Arca de Noé" (GO-JA-26), exibem um corredor de pinturas rupestres datadas de até 11 mil anos.
Esses registros pré-históricos em tons avermelhados, que retratam a fauna local e o cotidiano das primeiras ocupações humanas do Brasil Central, podem ser explorados pelos visitantes por meio de trilhas guiadas e passarelas estruturadas, transformando o destino em uma rara e fascinante imersão na arqueologia brasileira.
De volta ao nosso roteiro, por volta do meio-dia chegamos em Caiapônia (GO) para almoçarmos. Depois seguimos até a Cachoeira do Lajeado, onde inicialmente só existíamos nós e o barulho da água. Fomos recebidos pela dona Eleusa e pelo senhor João Carlos, que fez questão de dar uma verdadeira revista no nosso carro para conferir “o que tinha de bebida alcoólica, o que é proibido”.
cobras pelo caminho
Araras
Uma Ema na foto- Vimos muitas
Além delas, as seriemas também apareceram aos montes.
Diga-se de passagem que elas (as seriemas) são as donas da casa no Centro-Oeste: no cenário aberto de Goiás e do Mato Grosso, a seriema encontrou no Cerrado o hábitat perfeito para sua agilidade, preferindo correr a voar pelas planícies. Símbolo vivo da resiliência desse bioma, ela atua como uma predadora natural imbatível no controle de pragas, alimentando-se de insetos, roedores e cobras, demarca seu território com um canto agudo que ecoa a quilômetros de distância e demonstra uma capacidade única de adaptação, sendo uma das primeiras espécies a retomar o solo após as queimadas sazonais da região.
De volta ao nosso texto, a água fresca da cachoeira renovava qualquer cansaço.
Luís ainda encarou a tirolesa na parte alta dessa da Cachoeira do Lajeado.
O sossego só acabou mais tarde, quando chegaram alguns grupos sem muita noção de convivência. Dormimos ao som de música alta e falas altas atravessando a madrugada e contrastando com o sossego do centro-oeste brasileiro.
No dia 9 de maio acordamos cedo rumo a Barra do Garças. Na despedida do camping conhecemos a família do Igor: dona Flora, senhor Vacilão, senhor Elias e dona Cláudia. Entre uma conversa e outra, ouvimos deles algo que escutaríamos mais de uma vez nessa viagem: a ideia de que São Paulo é “evoluído”, enquanto muitas cidades pequenas daquela região ainda têm medo de crescer por receio da criminalidade.
Chegando em Barra do Garças, vimos o encontro dos rios Araguaia e Garças, bem na divisa entre Mato Grosso e Goiás.
Foto noturna do encontro dos Rios Araguaia e Garças
Com uma população de aproximadamente 70 mil habitantes, Barra do Garças, cidade historicamente consolidada na década de 1940 a partir do garimpo e da Marcha para o Oeste, sabe aproveitar suas águas com maestria em prol do turismo.
O município transformou o majestoso Rio Araguaia e o Rio das Garças, cujo encontro desenha o cenário urbano local, em verdadeiras arenas de lazer que atraem visitantes de todo o país.
É nessa confluência que ganham vida os esportes náuticos como o stand-up paddle, a descida de caiaque e as manobras de jet ski, além de ser o ponto de partida para a pesca esportiva.
O destino é um paraíso para os pescadores, que encontram no leito desses rios espécies cobiçadas como o gigante pirarucu, a imponente piraíba, o tucunaré e o pintado, consolidando o encontro das águas de Barra do Garças como um dos polos de ecoturismo mais vibrantes e dinâmicos do Centro-Oeste."
Foto aérea internet- @voosbg
Almoçamos no restaurante Beira Rio e depois aproveitamos o Parque das Águas Quentes, onde o ingresso custava apenas R$ 10. Luís, claro, não perdeu a chance de escorregar no tobogã. À noite, jantamos no Tucunaré na Telha, um flutuante no Rio Araguaia.
Ao fundo, Luís escorregando no tobogã do Parque das Águas Quentes
O dia 10 foi dedicado às cachoeiras Azul e Perdida. Um daqueles dias que passam rápido de tão bons. Conhecemos o guia Antonio da https://www.instagram.com/caiaquesetrilhasantonio/ e também as simpáticas Gabriele e Mariana, de Marabá.
O acesso à muitas cachoeiras na cidade é por fazendas particulares, por isso, também, a contratação de guia é obrigatória.
Esse bicho é uma mariposa-vespa (também conhecida popularmente como mariposa-vespa-azul), pertencente à subfamília Arctiinae (antiga família Ctenuchidae). O gênero mais provável para esse padrão que fotografamos é o Cosmosoma (como a Cosmosoma teuthras ou espécies próximas).
Cachoeira Perdida, no complexo Fazenda Recanto da Serra, a 50 km do Centro de Barra do Garças.
Ao contrário das cachoeiras da Serra da Mantiqueira (onde a água é muito gelada devido à altitude elevada e ao clima de montanha do Sudeste), as águas da Cachoeira Perdida e da Cachoeira Azul são frescas e temperadas. Isso se deve ao clima tropical do Centro-Oeste e ao fato de correrem sobre o solo arenoso e as rochas expostas do Cerrado, que absorvem o calor do sol ao longo do dia e aquecem a água gradativamente.
O guia Antonio preparando um capuccino pra gente. Que luxo, que cortesia. Ele é diferenciado.
A Cachoeira Azul é uma das maiores e mais impressionantes da região, ostentando uma queda espetacular de mais de 40 metros de altura, antes de formar seu famoso e profundo poço azul-turquesa.
A Cachoeira Perdida, que fica na mesma trilha de acesso, também impressiona com uma imponente queda de aproximadamente 40 metros.
Flutuante Tucunaré na Telha- Porto do Baé- Barra do Garças
A cultura dos flutuantes é um dos pilares da identidade de Barra do Garças. Eles funcionam como extensões urbanas: são plataformas flutuantes estruturadas que servem como ponto de encontro para banhistas, parada para barcos e jet-skis e, principalmente, como restaurantes que oferecem o melhor da culinária de água doce bem em cima da correnteza.
Retomando o roteiro......
No dia 11 saímos por volta das 9h30 em direção a Baliza, em Goiás. Antes, dona Vanderli nos mostrou a estrutura da Pousada eCamping Sossego do Garças, às margens do Rio Garças, construída com muito esforço, carinho e criatividade.
Mais do que um refúgio natural às margens do rio, o Camping Sossego do Garças reflete perfeitamente o espírito empreendedor de sua proprietária, Vanderli. Uma mente inquieta, que está sempre fervilhando de ideias e colocando, literalmente, a mão na massa para criar novidades e elevar o patamar do turismo em Barra do Garças. É a união perfeita entre a força do Cerrado e a visão de quem sabe transformar o acolhimento e a natureza em experiências inesquecíveis.
Seguimos então para Torixoréu, no Mato Grosso, onde almoçamos no restaurante Borolo antes de pegar estrada rumo ao Salto Paraguassu.
E que lugar. Digo, pois numa cidadezinha que nem sabíamos existir no mapa, desfrutamos de um excelente almoço.
Paisagens na estrada....
Igreja no alto da Cidade de Baliza, Goiás
Almoço à vontade em Tourixoréu, Mato Grosso
Modelando na ponte divisa entre Tourixoréu (MT) e Baliza (GO)
Rumo ao Salto Paraguassu, em Baliza. A cidade tem 2.500 habitantes, não vimos nem 10 pessoas nas ruas. Fundada na década de 1920, Baliza nasceu e cresceu impulsionada pela febre do garimpo de diamantes no leito do Rio Araguaia.
Do Centro da Cidade de Baliza ao Salto Paraguassu, somam-se 39 quilômetros. O trajeto de carro leva cerca de 55 minutos, sendo feito principalmente pela rodovia GO-194. Vale lembrar que boa parte do acesso final a esse tipo de atrativo na região envolve estradas de terra, o que exige um pouco mais de tempo e cuidado na direção.
Com opções de camping e day use, o atrativo conta com uma trilha para a parte alta da cachoeira que requer, obrigatoriamente, o acompanhamento de um guia. Nós optamos por não subir e curtir apenas a base. O engraçado é que, ao chegarmos e darmos de cara com o visual lá de baixo, entendemos na hora a razão de tanta gente preferir fazer o caminho pela parte de cima!
A queda d’água de 96 metros impressiona de verdade. A força da água batendo no corpo quase impedia-nos a permanência perto da cascata.
Paisagens e mais paisagens...
Por volta das 15h seguimos rumo ao Camping Sítio Ebenezer, localizado no Assentamento Formiguinha na famosa região do Pinga Fogo, fica encravado em um vale cercado pelas imponentes formações rochosas da Serra dos Caiapós.
Mais três horas de estrada de terra até chegar ao assentamento rural, já à noite. Um lugar formado por cooperativas e pequenas propriedades, onde famílias vivem da produção rural e também recebem viajantes em busca de tranquilidade.
No dia 12 conhecemos Priscila e dona Zenaide, que nos receberam como quem recebe amigos antigos.
E pensa num povo que tem orgulho da água que tem. A cortesia diferenciada foi nos deixar um jarro com água fresquinha para beber. Uma delícia. Tomei três copos.
Talvez tenha sido a noite mais silenciosa da viagem, até aqui.
Dormimos com aquele friozinho gostoso do interior, sem música alta, sem trânsito, sem correria. Só silêncio.
Siga o Sítio no instagram https://www.instagram.com/sitioebenezermin/
Ao fundo, o famoso Morro Dois Irmãos (também muito conhecido na região de Mineiros como Morro do Cristo). Ele é um dos cartões-postais e símbolos geológicos do Pinga Fogo.
De volta à estrada! Almoçamos no Décio Restaurante (custo/benefício- ótimos) e tomamos um sorvete simples, barato e delicioso na Amorinha, super indicamos.
Depois encaramos mais 130 quilômetros até Chapadão do Céu. Na Secretaria de Turismo da cidade, recebemos informações desencontradas sobre o Parque das Emas. E ali percebemos algo curioso dessa viagem: Goiás tem estradas excelentes, paisagens lindas e um potencial turístico enorme, mas ainda parece estar despertando para o turismo. Em muitos lugares, sentimos excesso de regras e pouca liberdade para o visitante.
A principal igreja católica de Chapadão do Céu (Goiás) chama-se Paróquia Nossa Senhora Rainha do Céu (também conhecida localmente como a Igreja Matriz da cidade). Ela foi projetada para ser uma igreja ecumênica e artística, fortemente inspirada na famosa arquitetura do espanhol Antoni Gaudí (o criador da Sagrada Família, em Barcelona).
Chegamos ao Parque Nacional das Emas por volta das 17h30 e fomos recebidos pela senhora Nena, que explicou que o camping dentro do parque já não funciona há cerca de dois anos.
Sem conseguir hospedagem próxima, resolvemos seguir viagem, ou encontrar hospedagem próximo ao Parque, para que pudéssemos retornar no dia seguinte ao local. No caminho, encontramos o senhor Marcos praticamente sozinho na estrada, que nos aconselhou a continuar viagem. Ainda bem que o ouvimos. Seguimos rumo a Costa Rica, cidade que só descobrimos ser do Mato Grosso do Sul, quando passamos pelo pedágio.
Chegamos justamente durante as comemorações dos 46 anos de Costa Rica. Assistimos desfile cívico, bandas, escolas, bombeiros, militares e ainda subimos gratuitamente em um balão que alcançava cerca de 30 metros de altura. Uma experiência inesperada e maravilhosa.
Dona Sueli, da Casa do Artesão de Costa Rica- Mato Grosso do Sul
Exército no Desfile Cívico-Militar de Costa Rica- MS
Paisagens pela estrada. Em meio às plantações de milho, destaca-se uma árvore.
Nos dias 13 e 14 exploramos cachoeiras da região. Num dia, visitamos o Parque Municipal de Lage e depois seguimos para a Cachoeira das Araras, praticamente vazia, silenciosa, escondida no meio de uma fazenda. Em muitos destinos, lugares vazios. Essa é a vantagem de caminhar contra o fluxo.
Na hora em que chegamos, a sombra já predominava devido à menor incidência do sol, deixando a água com aquela temperatura um pouco mais gelada e refrescante.
No fim do dia chegamos finalmente ao Camping Ravenala, às margens do Rio Sucuriú. Dona Lindaura nos recebeu com aquele jeito acolhedor que só existe no interior. Conhecemos também a pequena Cecília, de apenas sete anos, que nos contou sobre seu sonho de conhecer a praia. Ela é filha da Milena, a filha da Dona Lindaura. Que lugar acolhedor.
Com a Cecilia, ficamos horas conversando sobre bichos, estrada, adesivos de geladeira, anseios e viagens com essa garotinha sonhadora. O perfil da pousada/ camping é esse @ecopousadaravenala.
Fizemos compras no Mercado Paraná, cozinhamos por lá mesmo e tivemos outra das noites mais tranquilas de toda a viagem.
No dia 14 retomamos a estrada rumo a Olímpia. SP. Antes, porém, nos despedimos de Mato Grosso, visitando o Parque Municipal Natural do Sucuriú.
Uma pausa para um café no Parque Municipal Natural do Sucuriú
Parque Municipal Natural do Sucuriú
Salto do Majestoso: O grande cartão-postal do parque tem impressionantes 64 metros de altura. É uma queda d'água muito procurada para a prática de rapel e que pode ser observada bem de perto através de uma passarela suspensa ou voando pelo circuito de tirolesas do local. Banhar-se no local, no entanto, não é permitido.
Ravenala que dá nome à Pousada e Camping
Rumo a Olímpia- SP, passamos pela divisa entre Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, sendo São Sebastião do Pontal a primeira cidade mineira do caminho, e encaramos cerca de nove horas de viagem. Nesse momento já havíamos ultrapassado oficialmente os três mil quilômetros rodados.
Chegamos ao Bárbara Camping, em Olímpia, e fomos recebidos com um carinho enorme. Conhecemos Beth e Vilmar, do Rio Grande do Sul, viajando em um motorhome lindíssimo. Conversar com eles só aumentou ainda mais nossa vontade de viver mais vezes essa vida de estrada.
Passamos um dia inteiro no Thermas dos Laranjais. Luís entrou totalmente no modo radical e, no meio de tantos brinquedos, boias e gargalhadas, percebemos como rir pode realmente funcionar como terapia.
Eu me divertindo no único tobogã que tenho coragem de ir rsrsrs
No dia seguinte, rumo a Barretos. Muito além do famoso Parque do Peão, encontramos uma cidade organizada, com identidade própria e profundamente ligada à cultura sertaneja. Visitamos também o antigo Recinto Paulo de Lima Corrêa, que recebia o Revelando São Paulo, cheio de artesanato, culinária típica e violeiros espalhando música pelo espaço.
Visita ao Revelando SP, em Barretos.
Luís e eu fazendo amizades em Barretos
Monumento ao Peão, em Barretos.
A estátua tem impressionantes 27 metros de altura, o equivalente a um edifício de dez andares, e pesa cerca de 40 toneladas. Ela está localizada no ponto mais alto e logo na entrada do Parque do Peão, sendo facilmente avistada inclusive por quem passa pela rodovia. O Parque pode ser visitado todos os dias, e tem entrada gratuita.
Almoçamos no Soberano e depois seguimos pela SP-326 rumo a Brotas, com parada estratégica para um gelato em São Carlos. O sorvete, servido entre duas bolachas, custava R$ 28, quase um patrimônio histórico gastronômico da viagem.
Nos dias 16 e 17 ficamos no Camping Saltão, em Itirapina. Lugar bonito, organizado e cercado de cachoeiras. Fizemos trilhas até a Cachoeira do Saltão, Ferradura e Monjolinho. A chuva apareceu durante o domingo, mas nem ela conseguiu estragar a experiência.
Ainda resolvemos ir ao Viva Brotas para fazer rafting. Mas Brotas resolveu fazer jus ao nome: a água começou literalmente a brotar do céu. A chuva apertou, antecipamos a volta, tomamos mais um gelato pelo centro da cidade e seguimos viagem de retorno para casa.
E talvez o mais bonito desses 12 dias tenha sido justamente perceber os contrastes do Brasil.
Um país onde existe silêncio absoluto em um assentamento rural e som alto atravessando a madrugada em outro camping. Onde algumas cidades parecem parar no tempo enquanto outras crescem aceleradas. Onde encontramos pessoas desconfiadas e outras que abrem a conversa como se já nos conhecessem há anos.
Um Brasil de estradas excelentes e outras quase intransitáveis. De rios gigantescos, cachoeiras escondidas, placas improvisadas, sorvetes baratos, day use caro, calor de 35 graus e frio de madrugada.
No fim, a sensação é de que viajar de carro nunca é só sobre chegar.
É sobre tudo o que acontece no caminho.
E talvez por isso faça tanto sentido aquela música:
“Minha vida é andar por esse país…”







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