Fizemos questão de parar na famosa rotatória dedicada ao nosso ídolo
do ciclismo, Tadej Pogačar — uma homenagem emocionante!
Nos
hospedamos no Camping Apartmani Lana, localizado no alto da cidade,
oferecendo uma vista privilegiada de Sarajevo.
A
Bósnia e Herzegovina é um país predominantemente montanhoso, com a sua paisagem
marcada por vales, montanhas e colinas.
Fomos
recebidos pelo proprietário Vendran, Dona Fata e suas filhas, Aridajana e Lana.
Eles foram um dos grandes destaques da nossa viagem: a simpatia, a postura
empreendedora e o bom humor nos lembraram muito o jeito brasileiro de ser e de
receber. Logo começamos uma conversa, com direito a um bate-papo e um café
bósnio.
Eles
fizeram questão de nos levar a vários pontos da cidade: mirantes incríveis, um
pôr do sol inesquecível e até a parte sérvia do país. Ao final das verdadeiras
aulas de gentileza, história, turismo, idiomas e acolhimento, a família ainda
fez questão de nos pagar uma pizza, que, segundo o senhor Vendran, é “a melhor,
a número 1 do mundo”.
19 de maio
No dia seguinte, 19 de maio, entregamos a eles o que podíamos como retribuição a tanto carinho: uma camiseta do Brasil.
Para nossa surpresa, eles ainda nos presentearam com uma caneca e um ímã.
Os amigos que fizemos na Bósnia- Vendran, Dona Fata e sua filha, Aridajana
Super
recomendamos o espaço — já estou até seguindo a página no Instagram:
https://www.instagram.com/apartmani_bungalow_lana/. Pagamos 15 euros pela instalação.
De
volta à estrada, antes passamos no Mercator para fazer compras.
Em
seguida, visitamos o local que sediou as Olimpíadas de Inverno de 1984, que
continua funcionando com uma estrutura turística exemplar.
Partimos
então para o próximo destino: Mostar, a 120 km. No caminho, paramos por uma
hora para almoçar em Jablanica.
Seguimos
por estradas sinuosas entre cânions que cercam o rio Neretva.
Da série, nunca o inglês ficou tão fácil rsrsrs- idioma bósnio complicado
Em
Mostar, passeamos pelo centro histórico e encontramos os primeiros brasileiros
da viagem! Uma chuva nos pegou de surpresa, mas antes conseguimos visitar a
famosa ponte, que data do século XVI — uma maravilha da arquitetura otomana,
onde, há séculos, pessoas de todos os grupos étnicos se encontravam.
Ela
foi destruída pela artilharia croata em 1993, mas, em 2004, foi reconstruída
graças a um projeto liderado pelo Banco Mundial e pela UNESCO. Hoje, além de
espetacular, a ponte sedia campeonatos de salto: atletas saltam 24 metros do
alto arco para as águas frias do rio Neretva.
Saímos
por volta das 19h rumo ao próximo camping.
Aqui
abro um parêntese: um guardinha do trânsito veio enlouquecido cobrar
estacionamento. Ninguém estava com o comprovante nos carros, então ficamos
desconfiados. Ele viu que éramos brasileiros e comentou que conhecia "a
fama dos brasileiros". Fica nossa recomendação: pare em um estacionamento
pago próximo ao centro histórico.
Depois
de mais 50 km rodados, chegamos ao Camping Kravica, dentro do parque nacional.
20 de maio
No
dia 20 de maio, acordamos à beira da cachoeira. Que café da manhã especial!
Fizemos uma caminhada até a beira da queda d’água. O Luis nadou — ou melhor,
congelou!
As
tufas de vegetação criam um efeito incrível na queda da cachoeira, de 25 metros
de altura. Um quadro pintado em constante movimento.
Pagamos
15 euros pelo camping.
De
volta à Croácia — segunda vez!
20 de maio
No
dia 20, saímos do parque com os termômetros marcando 29 graus — as temperaturas
mais altas da nossa viagem até aqui.
Na
passagem da fronteira da Bósnia com o sul da Croácia, pediram nossa
documentação, mas foi tudo tranquilo. Informamos que havíamos alugado o carro
na Eslovênia.
Sem
dúvidas, um dos cenários históricos mais impressionantes que já vimos na vida é
esta cidade: Dubrovnik.
Dubrovinik vista do alto
Restaurante de Dubrovinik- charme garantido
Apesar de levar o nome de “cidade”, ela parece tão nova, tão bem preservada, com um charme irresistível! Suas raízes remontam ao século VII, quando foi fundada por refugiados de Epidaurum. Posteriormente, entre os séculos XIV e XVI, tornou-se uma poderosa república marítima — a República de Ragusa — prosperando com o comércio no Mediterrâneo.
No século XX, Dubrovnik enfrentou desafios significativos, incluindo a Guerra de Independência da Croácia, em 1991, que causou danos severos à cidade. Esse passado é possível conferir logo na entrada, em um mapa que mostra as áreas atingidas pelos bombardeios.
Conhecida como a “Pérola do Adriático”, Dubrovnik também foi cenário de produções famosas, como a série Game of Thrones.
Por lá, o Luis experimentou uma carne e eu, claro, uma pizza.
O
turismo ganhou ainda mais força com essa fama de cidade histórica e
cinematográfica. Mas já avisamos: consideramos Dubrovnik a cidade mais cara da
viagem! Só o estacionamento, por três horas, custou 30 euros. E a entrada no
Museu Marítimo sai por 40 euros.
Optamos
por passear pela Cidade Velha e admirar o quão preservadas estão as construções
— um verdadeiro mergulho no passado!

Nos
hospedamos no camping Pod Manislom, em Oraŝac, pagando 34 euros.
O atendente,
Steven, foi super atencioso e se divertiu tentando pronunciar o nome da nossa
cidade natal:
Guaratinguetá. Imagine só a nossa dificuldade tentando falar
qualquer nome croata! (rsrsrs)

21 de maio
No
dia seguinte, 21 de maio, fizemos uma caminhada até a beira da praia. O mar
estava gelado e o vento, fortíssimo!
Com
a casa arrumada, seguimos viagem rumo a outra cidade histórica: Split.

Das paradas na estrada, para preparar o almoço
Saímos
por volta das 11h24, com destino ao famoso Palácio de Diocleciano. Este foi,
até então, o dia em que mais andamos de carro: 190 km!
Neste
trecho também abastecemos: 64 litros, a 82 euros.
No
caminho, fizemos uma pausa para almoçar em um mirante próximo a Gradac,
passando pelo litoral e apreciando a vista.
Em
Split, conseguimos estacionar bem em frente ao Palácio. A cidade oferece várias
opções de estacionamento, mas já avisamos: cobram por hora e não é barato. Como
a van é um pouco maior, priorizamos vagas mais amplas e seguras — como as que
encontramos neste local.
Embarcamos
então numa viagem pelo tempo, rumo a um castelo romano.
Já é natal em Split
Split
é a segunda maior cidade da Croácia e um dos destinos turísticos mais populares
do país. Com mais de 200 mil habitantes, é o centro nevrálgico da Dalmácia e
parada obrigatória para os cruzeiros que cruzam o Mar Adriático.
Um
fato curioso: foi aqui que, em 305 d.C., o imperador romano Diocleciano decidiu
construir sua residência de aposentadoria.
A
obra foi erguida entre o final do século III e o início do IV d.C., e hoje é
uma das ruínas romanas mais importantes do mundo.
A
arquitetura do Palácio de Diocleciano revela uma mistura fascinante de
influências romanas, gregas e bizantinas, com elementos como pátios, peristilo,
colunas, arcos e intricadas esculturas em pedra.
Ainda na Croácia, no
camping Šibenik, nos instalamos — ou melhor, admiramos! O maior dos campings que já ficamos. A atendente nos disse que o Camping estava em obra para o verão e que daria desconto na hospedagem de 10 euros. Ela também disse que, pelo que se lembrava, éramos os primeiros brasileiros que haviam estado no local.
Foi uma parada rápida e uma noite bem dormida. A casa ficou do lado do mar. Que privilégio.
Estrutura dos camping Šibenik
O único banho de mar da viagem
De volta à Eslovênia — pela segunda vez!
Depois da imponente Croácia, retornamos à simpática Eslovênia.
Neste dia 22 de
maio, por volta das 13h, pegamos a estrada de volta a este pequeno país, menor até que o menor estado Brasileiro, Sergipe. Rumo a
Postojna, para ver de perto as famosas cavernas.
No
caminho, fizemos uma parada em uma ponte com uma vista vislumbrante.
Depois, em Kapetanija para um sorvete. Mais uma vez, observamos o que já se tornou um padrão para nós: muitas famílias acompanhadas de seus cachorros, sejam moradores locais ou viajantes em motorhomes, como nós.
Este dia bateu o recorde de quilômetros percorridos na viagem: no total, 390 km!
Com isso, chegamos já à noite, por volta das 23h. Tentamos um camping, depois até cogitamos parar em um posto, mas todas as tentativas foram frustradas. Pesquisamos e descobrimos que o próprio Parque de Postojna oferece estacionamento, com estrutura completa: energia elétrica, ponto para reabastecer água e também para descarte da água suja — ou seja, toda a manutenção necessária da nossa casa sobre rodas.
O custo-benefício foi excelente! Ficamos quase 24 horas ali, pagando apenas 15 euros.
Deixamos
AQUI o endereço para quem quiser incluir esse ponto no roteiro. Sejam viajando
de carro ou motorhome, o local oferece uma estrutura impecável. E mais:
segurança na Eslovênia não será uma preocupação.
chegada ao Camping do Parque de Postojna, Eslovênia
23 de maio
No
dia 23 de maio, amanhecemos com chuva, mas nada muito intenso. Logo o tempo
melhorou, embora o frio persistisse. Dentro da caverna, a administração avisou
que os termômetros marcavam 10°C — mas, sinceramente, parecia bem menos,
principalmente nos corredores onde o vento soprava forte!
A
Caverna de Postojna é famosa por suas impressionantes formações de estalactites
e estalagmites, esculpidas ao longo de milhões de anos. É de encher os olhos!
O
ingresso custa 32 euros e inclui um passeio de trenzinho por 3,5 km, seguido de
uma caminhada de 1,5 km, sempre acompanhado por um guia que conta, em detalhes,
a história do local, que remonta a mais de 2 milhões de anos.
Essa
verdadeira cápsula do tempo geológica também abriga o Proteus anguinus,
conhecido como “peixe humano”, uma espécie rara de salamandra totalmente
adaptada à vida na escuridão.
Saiba
mais sobre a caverna- AQUI
A proposta do motorhome = economia de hospedagem e refeição
Conforme seguimos estrada, aproveitamos para renovar o estoque de comida da nossa casa sobre rodas. Ou seja, mergulhamos de cabeça — e de estômago — na proposta de passar alguns dias vivendo no motorhome.
Economizamos consideravelmente nas refeições, que nos restaurantes variam, em média, entre 15 e 20 euros. No total, foram 18 compras de alimentos, algumas só para repor o pão do café da manhã, por exemplo. Fizemos essas compras em diversas redes: Lidl, Mercator, Hofer (que oferece o melhor custo-benefício), Eurostar e Tommy, em todos os países por onde passamos.
Uma coisa que adoramos e recomendamos: a qualidade e o frescor do pão — sempre!
Experimentamos os pães dos seis países, todos com a mesma e excelente qualidade.
Isso sem contar a economia com hospedagem. Em uma rápida pesquisa pelos países que visitamos, constatamos que as diárias variavam de 50 euros — o mais barato, na Croácia — a €336,86, o valor mais alto, na Áustria, por exemplo. Basta considerar que o nosso enfraquecido real está cerca de sete vezes mais desvalorizado que o euro e três vezes mais fraco que o marco conversível (KM- BAM) da Bósnia. Apenas na Turquia a diferença era menos impactante: 100 liras turcas equivalem a aproximadamente R$15,00.
Ainda na Eslovênia...
Logo
após as cavernas de Postojna, seguimos para visitar outro cartão-postal da
Eslovênia: o Castelo de Predjama.
De
estilo renascentista, o castelo foi construído na boca de uma caverna, no
centro-sul do país, na região histórica da Carníola Interior. Fica na pequena
povoação de Predjama, a cerca de 11 km de Postojna e a apenas 9 km da própria
gruta.
O
visitante pode chegar bem próximo da entrada do castelo, sem a necessidade de
pagar ingresso — e foi exatamente o que fizemos!
O
castelo foi reconstruído duas vezes, após o cerco e a destruição da sua versão
original, sendo uma delas motivada por um terremoto, no início do século XVI.
Em 1567, o arquiduque Carlos da Áustria arrendou a propriedade ao barão Philipp
von Cobenzl, que a pagou após 20 anos. Finalmente, em 1570, o atual castelo foi
erguido em estilo renascentista, encostado a um penhasco vertical, bem sob a
antiga fortificação medieval.
Desde
então, o castelo manteve-se praticamente inalterado até os dias de hoje.
Árvore no estacionamento de acesso ao castelo
Já
que demos um pulinho na antiga propriedade do Barão, aproveitamos para
experimentar a Gibanica — uma deliciosa torta de maçã.

Famosa Gibanica (se lê "Guibanica)

Restaurante próximo ao acesso ao castelo, com preços acessíveis
Partiu
Itália… ou melhor: Giro d’Italia!
Ainda
no dia 23 de maio, saímos de Predjama rumo a Trieste, na Itália. Foram apenas
45 km — bem rapidinho! — e chegamos às 16h50.
Havíamos
estado lá pela primeira vez em 2018. Que prazer voltar à terra do tradicional Gelato,
desta vez por um motivo tão nobre quanto: assistir a uma etapa do Giro
d’Italia, em Nova Gorica-Gorizia!
Vale
destacar, a título de informação, que o turista não é abordado na fronteira
entre a Eslovênia e a Itália. No dia em que passamos, havia um controle
policial, mas ninguém estava sendo parado ou revistado.
Informações Extras – Preços do Combustível
Como
curiosidade e também para ajudar quem pretende colocar o pé na estrada por
essas bandas, anotamos os preços do diesel em cada país por onde passamos:
- Croácia: 1,28
euro/litro
- Bósnia: 2,28
euros/litro
- Eslovênia: 1,41
euro/litro
- Itália: 1,61
euro/litro
- Turquia: 1,00
euro/litro
Diferenças
significativas que influenciam no planejamento financeiro, principalmente para
quem viaja de motorhome!
Chegada a Trieste, Itália

Assim
que cruzamos a fronteira e chegamos a Trieste, estacionamos no porto,
que conta com vagas amplas e bem organizadas. O custo? 1,80 euro por hora
— uma boa opção para quem quer conhecer o centro e à beira mar sem complicações.
E foi exatamente o que fizemos: uma caminhada pela beira do mar, um tradicional gelato e uma visita rápida ao centro histórico. Trieste é charmosa e cheia de vida, mesmo quando estamos só de passagem.
A foto mostra o teatro romano, em Trieste.
Optamos por ficar no Camping Mare Pineta, bem estruturado, com diária de 38 euros para o carro e para nós. Trilha até o Palácio de Duino
No dia seguinte, acordamos cedo e aproveitamos uma das trilhas que saem do próprio camping até o Palácio de Duino.
A trilha contorna o mar, mas se desenvolve no alto de um cânion, proporcionando vistas incríveis. Ao lado, Camping tinha até caixa eletrônico.
A
cada parada em um mirante, aquele suspiro: como a natureza italiana sabe ser
generosa!
Castelo de Duino, Trieste- Itália
Caminhada do camping até o Castelo de Duino
Giro D´Itália: Experiência ao vivo!
Ainda
no dia 23 de maio, seguimos para Gorizia, a apenas 30 minutos de
estrada. Nossa motivação? Assistir à chegada de uma das etapas do Giro
d’Italia, um dos maiores eventos de ciclismo do mundo.
E
que espetáculo!
Naquele
dia, não houve sprint final: o dinamarquês Kasper Asgreen (da equipe EF
Education-EasyPost) venceu a 14ª etapa.
O
trajeto? 195 km, entre Treviso e Nova Gorica (Itália),
completados em 4h04min40s — média impressionante de 47,8 km/h.
Selfie na chegada
Para
coroar, a tradicional Esquadrilha da Fumaça italiana coloriu o céu. Um
momento inesquecível!
Esquadrilha da Fumaça italiana no céu de Nova Gorica- Gorizia- Itália- Giro d´Itália 2025- etapa 14
Além
disso, o Luis ainda deu entrevista para o canal local In Trieste:
Entrevista
no In Trieste
Claro,
mais um gelato para comemorar em Nova Gorica, e seguimos viagem.
Rumo a Gemona: Camping Aipi Oppi
Depois
de 1h30 de estrada, chegamos ao Camping Ai Pioppi, em Trasaghis,
Gemona. Vale destacar que tivemos o contratempo de encontrar dois campings que havíamos pesquisado na internet já desativados. Por sorte, acabamos descobrindo o Ai Pioppi.
Mais uma vez, o Wi-Fi deixou a desejar — um padrão em muitos
campings —, mas a recepção foi ótima.

A caminho do camping
Zoncolan:
Um ícone do ciclismo
No
dia seguinte, 24 de maio, o céu amanheceu azul — aquele típico “céu
de brigadeiro” — e partimos rumo ao Zoncolan. Após 50 km,
estávamos no topo de uma das montanhas mais icônicas do ciclismo mundial.
Com
seus 1.750 metros de altimetria, o Zoncolan é famoso pelas rampas
desafiadoras, que chegam a 22% de inclinação. A estrada é estreita, com
poucas curvas e longos trechos retos que parecem não ter fim.
Subimos
de motorhome, mas encontramos pelo caminho a ciclista italiana Eugênia,
que encarava o Zoncolan na força da bike. Vibramos com ela na chegada, após 1h20
de subida!
Eugênia na chegada
Eugênia na descida, super cautelosa
Início da subida do Zoncolan
Luís observando o ciclista na descida
Essas duas últimas cenas acima (veículo e criança) resumem bem o espírito do motorhome: as pessoas levam consigo não só o
abrigo, mas também os seus prazeres — bicicletas, motos, caiaques e até
stand-up paddles. E não importa a idade da criança ou a quantidade de cachorros, elas SÓ VÃO!
Rumo à Áustria: Plockenpass e o início dos Alpes
Seguindo
nossa rota, deixamos o Zoncolan e partimos para a Áustria, rumo ao Parque
Nacional Hohe Tauern. Foram 109 km, cruzando a espetacular estrada
do Plöckenpass — simplesmente inesquecível!
Dica do pedágio na Áustria
Importante:
na Áustria não há pedágios tradicionais, como na Itália, mas é
obrigatório adquirir uma vinheta (adesivo ou bilhete) para circular
legalmente.
Logo
após a fronteira, perguntamos num posto e a senhora nos informou que, 50 km
à frente, encontraríamos o ponto de venda. Por sorte, achamos bem antes, num
posto de conveniência.
Compramos
a vinheta válida por 10 dias, ao custo de 12 euros. O preço para
menos dias não compensava, então fomos no pacote mais conveniente.

Nome do bilhete de pedágio na Áustria
Plantações de uva pelo caminho
Estradas sinuosas, rumo aos Alpes Austríacos
Heiligenblut e o Camping Fleissner -Alm Casino
Chegamos
ao Camping Fleissner/Alm Casino, em Heiligenblut, às 19h. Frio
cortante! A diária: 47 euros. Fomos recebidos pelo simpático senhor Joseph,
que puxou papo e contou sua ligação com o Brasil — trabalho, memórias do Ayrton
Senna, samba, Rio de Janeiro. Até o Eike Batista
entrou na conversa!
vista do céu de dentro de nossa vanhome
Parque Nacional Hohe Tauern: Entrada nos Alpes -DIA DE GELO
26 de maio
No dia 26 de maio, acordamos animados para explorar o Parque Nacional Hohe Tauern. Por ali, o visitante pode fazer diversas trilhas gratuitamente — contamos pelo menos 24 trilhas de bike nos folders informativos!
Mas, para acessar com carro, atenção: pagamos 45 euros.
Pesquisamos bastante e descobrimos que o ponto mais alto da Áustria está ali: o Grossglockner, com 3.798 metros. E o avistamos ao longe, imponente!
Fizemos uma caminhada tranquila pela beira do rio, vimos as famosas marmotas e o maior glaciar da Áustria — um espetáculo gelado!
Ao fundo, o maior glaciar Geleira Pasterze (Pasterze Glacier), com aproximadamente 8,4 quilômetros de comprimento.
Depois do passeio, almoçamos no carro e seguimos viagem. O cenário foi se transformando até ficarmos cercados de gelo puro, com sensação térmica de zero grau e o termômetro marcando 3°C.
Deixando os Alpes: Rumo ao Camping Wieshof
Após
2 horas de estrada e uma parada estratégica no mercado para comprar 6
tomates e uma alface (4 euros!), chegamos às 17h20 ao Camping
Wieshof, em St. Johann.
Fizemos
uma caminhada rápida pela cidade, mas o comércio já estava fechado — tudo
encerra às 18h.
Decoração do banheiro do camping
Camping Wieshof
Caminhada por St Johann
Matando a saudade dos peludos de casa. Nosso vizinho no camping Wieshof
Parque das Cachoeiras de Liechtenstein
27 de maio
Na
manhã de 27 de maio, seguimos para o Parque das Cachoeiras de
Liechtenstein. Continuamos hospedados no Camping Wieshof, por 50
euros a diária.
Ali,
a simpática atendente nos contou sobre uma peculiaridade cultural: na Áustria,
o idioma oficial é o alemão, mas falam um dialeto local bastante
característico, que dá ainda mais charme à comunicação.
A
trilha sonora: Música Clássica
E,
claro, não poderia faltar um dos “costumes” austríacos: ao ligarmos o rádio da
van, adivinha o que tocava? Música clássica! Não tem como não se sentir
num filme europeu.
Música clássica em uma rádio da Áustria
Estrutura
dos campings na Europa
Os
campings por onde passamos oferecem uma infraestrutura impressionante:
restaurantes, piscina, SPA, caixa eletrônico, banheiros com secadores,
aquecedores, lavanderia, playground, academia, salão de jogos, padaria,
mercadinho e até sorveteria.
Essa
foi nossa última parada na Áustria, um país que preserva com orgulho suas
tradições mais conservadoras, perceptíveis na arquitetura das casas, nas
vestimentas típicas e na discreta cordialidade de seu povo.
27 de maio
No
dia 27 de maio, seguimos em direção a Klagenfurt, mas antes fizemos uma pausa
para mais um gelato — desta vez, em Moosburg. Na praça central, nos deparamos
com totens dedicados a escritores e filósofos, entre eles, Sêneca, um reflexo
da valorização da cultura e do intelecto pelos austríacos.
Às
18h, chegamos ao camping de Klagenfurt. E ali vimos novamente o que se repete
em muitos campings europeus, como nas três experiências que já vivemos até
então: com a chegada das estações mais quentes, muitos transformam esses
espaços em verdadeiros lares sazonais. É comum encontrar casais mais velhos
passando temporadas inteiras, com seus motorhomes cercados de mesas, lonas,
tapetes e até plantas, compondo uma área gourmet tão acolhedora quanto fixa.
Caminhada por Klagenfurt
Informações no ponto de ônibus
Padaria no camping
28 de maio
No
dia 28 de maio, acordamos animados com um objetivo: experimentar o trem-bala
pela primeira vez, com ingressos anunciados a partir de 15 euros, no trecho de
Klagenfurt até Graz. Após 30 minutos de ônibus pela cidade — que cobra 2,50
euros por hora —, encaramos a realidade das férias, que também incluem
frustrações: para conseguir o bilhete promocional, deveríamos ter comprado com
bastante antecedência. No dia, o valor era exorbitante. A ida e volta para duas
pessoas custaria em torno de 800 reais! Decidimos deixar a experiência para
outra ocasião.
Tentativa de promoção de bilhete do trem bala
Reflexão
Apesar
da avalanche de informações e estímulos que essas viagens nos proporcionam,
buscamos sempre o silêncio e o reencontro com nós mesmos. É nesse espaço de
introspecção que conseguimos perceber nossa insignificância diante da imensidão
do mundo — e, paradoxalmente, é nesse instante que nos tornamos grandes em
essência e plenamente conscientes de nossa pequenez.
Pessoas
de todas as idades, inclusive com dificuldades de locomoção ou deficiências
físicas, não medem esforços para explorar e experimentar as cores, os aromas e
os sabores que o mundo oferece. É inspirador.
De
volta à Eslovênia — pela terceira vez!
De
Klagenfurt partimos rumo a Bled. Foram 1h20 de estrada até chegarmos a essa
cidade que, até então, imaginávamos bucólica. Ledo engano! O turismo explodiu
em Bled a tal ponto que, no primeiro camping que procuramos, não havia sequer
uma vaga.
A
travessia da fronteira entre Áustria e Eslovênia foi tranquila, como da vez
anterior: após cerca de meia hora de viagem, por volta das 12h20 de 28 de maio,
estávamos novamente em solo esloveno. Um túnel conecta os dois países e, assim
como na entrada, não houve qualquer fiscalização.
Em
Bled, indicamos um estacionamento bem localizado, no final da avenida do lago,
ao custo de 4 euros por hora. O tradicional passeio de barco até a famosa ilha
custa 20 euros por hora. Graças às remadas vigorosas do Luis, chegamos à ilha
de Bled em apenas 10 minutos. Lá, fiz uma rápida visita à loja de artesanato e,
pela parte externa, apreciei a Igreja da Assunção de Maria.
De
volta ao continente, exploramos mais um pouco a cidade. Descobrimos que Bled
também oferece opções de estacionamento público gratuito, mas com limitação de
tempo: até uma hora sem cobrança; após esse período, paga-se 3 euros por hora.
Seguimos
então para o River Camping Bled, na cidade vizinha de Lesce. E que sorte não
termos conseguido vaga no primeiro camping! Este foi um verdadeiro espetáculo:
à beira do rio Sava, em um ambiente que nos conquistou tanto que decidimos
passar dois dias seguidos por ali, descansando — ou quase isso, já que para nós
férias são, na verdade, uma oportunidade de nos cansarmos ainda mais (rs).
Caminhamos muito, tanto no dia 28 quanto no 29.
Da série: nunca o inglês foi tão fácil
Gibanica na Eslovênia novamente
Ilha do Lado Bled
Lago Bled, Eslovênia
Sorveteria no camping, em Lesce, Eslovênia
30 de maio
No dia 30 de maio, despertamos às 7h e, por volta das 9h40, deixamos o camping, rumo a Šenčur, para entregar nossa casa sobre rodas. Éramos apenas a segunda família a alugar aquela van. Na devolução, conhecemos um casal de brasileiros, residentes em Dubai, que também haviam alugado um motorhome para rodar por uma semana na Eslovênia.
Entre vinhos, pães e muitos quilômetros percorridos, fomos acumulando ainda mais memórias.
Na nossa primeira experiência viajando de motorhome, rodamos ao todo 2.600 km, cruzando cinco países e adicionando novos marcos ao nosso mapa da vida. E calma: ainda não acabou!
Agora a pé, com as próprias pernas
Depois de entregarmos nossa casa itinerante, seguimos para um hostel próximo a Liubliana e ao aeroporto, na pequena cidade de Cerklje na Gorenjskem, com pouco mais de 1.700 habitantes. Lá, nos acomodamos por duas noites.
No dia 30 de maio, fomos até o centro de Liubliana, onde conhecemos a icônica Ponte Tripla, o Castelo de Liubliana, exploramos o artesanato local e, claro, nos deliciamos com mais um gelato (kkkk).
Também
experimentamos a famosa Juvka Mešani (ACESSE O VÍDEO) — uma espécie de pão sírio recheado com
carne ou frango, repolho, tomate, cebola, ketchup e maionese. Tem o tamanho de
uma pizza, mas é enrolado como um wrap gigante. Luis e eu dividimos um. O preço
varia entre 4,50 e 6 euros.
Castelo de Liubliana
Feira gastronômica no centro de Liubliana
Ponte Tripla de Liubliana, Eslovênia
Se a gastronomia foi impecável, o sistema de transporte público deixou a desejar. Perguntamos a seis funcionários — entre eles três motoristas de ônibus de outras linhas — e nenhum soube nos informar qual seria a nossa condução. No fim, esperamos e, para nossa sorte, o ônibus apareceu.
Estação rodoviária e de trem de Liubliana- confuso o sistema de informação sobre linhas
De
volta ao hostel, optamos por uma refeição leve. Gostamos muito da pegada dos
hostels: o convívio com outras pessoas nas cozinhas e áreas comuns, além da
possibilidade de aproveitar alimentos que outros viajantes deixaram para quem
pudesse usar. No nosso caso, deixamos uma boa quantidade de pó de café e, em
contrapartida, utilizamos um pouco de arroz e cenoura para preparar um almoço
especial.
Para
quem ainda não conhece Liubliana, vale muito a pena dar um pulinho!
No
dia 31, seguimos até o sopé de Storžič (e não "Steranja Gorja", como
pensávamos inicialmente). A ideia era subir de lift, mas, infelizmente, o
teleférico não estava em funcionamento. Sem desanimar, caminhamos ainda mais...
cerca de 14 km!
As flores da primavera, são o forte da Europa.
Ruínas de abrigo para militares da 2ª guerra mundial, na Eslovênia
Notamos
também que a cidade é muito voltada para os ciclistas. Inclusive, aqui vai o
link com um vídeo que mostra o suporte e a estrutura oferecida aos amantes do
pedal:
Estação de suporte para bike
Viramos o mês: já é junho!
No dia 1º, pagamos pelo transfer para que o dono da pousada nos levasse até o Aeroporto de Liubliana. O voo foi tranquilo, com duração de duas horas, e, assim, chegamos à vibrante Turquia.
Turquia – Istambul Tour
Voo
tranquilo de duas horas e desembarcamos na Turquia, onde iniciamos, no dia 2 de
junho, nosso tão esperado Istambul Tour. A cidade já nos recebeu com aquela
mistura vibrante de sons, aromas e cores que a tornam uma das mais fascinantes
do mundo.
Nossa
primeira parada foi na imponente Mesquita Azul (Sultanahmet Camii), com
seus seis minaretes que riscam o céu e um interior revestido por mais de 20 mil
azulejos de cerâmica, em tons predominantemente azulados. O silêncio
respeitoso, misturado ao clique das câmeras, fazia parte da atmosfera.
Para adentrar
o local, mulheres precisam colocar o lenço na cabeça, todos precisam tirar seus
sapatos. E se, homem ou mulher, estiverem trajando saias ou bermudas, devem
emprestar uma espécie de saiote na entrada da mesquita. Tudo é gratuito.
Seguimos
então para a icônica Hagia Sophia (Ayasofya), que desde 2020 voltou a
ser mesquita, mas mantém sua grandiosidade milenar: já foi igreja, mesquita,
museu... e agora mesquita novamente.
Na
sequência, conhecemos o Hipódromo de Constantinopla, atualmente
conhecido como Praça Sultanahmet, onde estão preservados monumentos históricos
como o Obelisco de Teodósio — trazido diretamente do Egito há mais de
1500 anos — e a Coluna Serpentina, um artefato ainda mais antigo, do
século V a.C., originário de Delfos, na Grécia. Ver essas estruturas, tão
antigas e resistentes, nos fez refletir sobre o tempo e os ciclos humanos.
Como
não poderia faltar, atravessamos o movimentado Grande Bazar
(Kapalıçarşı). O local é um labirinto fascinante com mais de 4 mil lojas —
desde tapetes e joias até temperos e cerâmicas. Aqui, mais do que comprar, vale
se perder e absorver o clima frenético e, ao mesmo tempo, acolhedor.
Istambul é a força
das cidades que são ponte entre mundos: Ásia e Europa, cristianismo e
islamismo, passado e presente, tradição e modernidade.
Aeroporto de Liubliana- viagem de volta- fila do check in
Tem chão, ou melhor, tem céu
Tour na Turquia, com a empresa Turkish Airlines
Mesquita Azul, na Turquia
Obeliscos
Culinária turca ofertada pela empresa, durante o tour
Bosque próximo à Hagia Sophia (Ayasofya)
REFLEXÃO: mais que quilômetros, memórias na bagagem da alma
Mais
do que os 2.600 quilômetros rodados, os seis países visitados ou as horas
acumuladas na estrada, o que realmente carregamos conosco são as memórias que
agora habitam nossa bagagem mais preciosa: a da alma.
Cada
paisagem, cada encontro, cada dificuldade superada e cada pequena descoberta
foram tecidos nesse percurso, transformando nossa experiência em algo que vai
muito além de deslocamentos geográficos. São aprendizados sobre nós mesmos,
sobre a forma como encaramos o mundo, sobre a beleza da diversidade e a
importância do tempo dedicado a simplesmente estar, observar e sentir.
Voltamos
com a certeza de que viajar não é apenas mudar de lugar, mas ampliar horizontes
internos. E que, a cada nova jornada, somos menos turistas e mais viajantes —
colecionadores de histórias, emoções e vínculos.
A
estrada termina, mas o que ela nos deixou continua ecoando, firme, dentro de
nós.
Foram 28 mil kms no céu ✈️
6 países na construção da vida 🌍
Foram 2600 mil kms de motorhome🚐
E 20 dias de caminhada registradas no strava 🚶♂️ e 🚶♀️
Se
só se leva do vida o que se vive, quero começar a viver o que quero levar-
Gabriel Garcia Marques.
O caminho de volta também é bom.
A PRESSA AQUI, FOI SÓ DE VIVER TUDO COM MAESTRIA.