segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Terra dos Escravos,terra da história,terra de minha mãe

Olá gente,hoje vou me permitir viajar em uma história pela qual me encanto.                         Recentemente, falei em meu blog sobre meu pai,hoje vou me apaixonar em apenas algumas linhas ao falar de minha mãe.Digo isso,pois fui até a terra natal dessa danada,São José do Barreiro.
                                         
                                                     Acessos à cidade de São José do Barreiro


A primeira impressão pelas fotos é de que voltamos no tempo.Alguns minutos mergulhada na simplicidade do lugar e no olhar cativante das pessoas,dá pra entender porque dona Maria de Barros Paula Santos ou,simplesmente,Dona Paula é tão meiga e apaixonante.São José do Barreiro é linda,guerreira .

                                                 Dona Paula,70 anos de muita alegria e luta.

Sem se quer descer do carro me apaixonei.Minha amada mãe nasceu lá em 7 de julho de 1944.Na verdade,há um mistério.Ela diz que nasceu na divisa entre Areias e São José do Barreiro.Mas o amor é tanto que para um coração de mãe duas pequenas cidades cabem sem problemas e ainda sobra espaço para outras 37 da Região Metropolitana do Vale.Disse há pouco que não desci do carro,não por preguiça,mas sim porque nosso destino final era Bananal.Depois de 2h30 chegamos à Fazenda dos Coqueiros.Construção que data de 1855 .No local,havia grandes Barões do Café.
                                                  Entrada da Fazenda dos Coqueiros

.Mas a atividade era só fachada , o que os senhores lucravam era com o tráfico de escravos,mesmo após a Lei Áurea,que determinou o fim da escravidão.
O que me encantou foi saber que a herdeira da fazenda,dona Beth, e esposo dela,Guga,resolveram valorizar a história do negro no Brasil.Homens que sofreram em senzalas e que ressignificaram momentos ruins.Do porão da casa, criaram a capoeira e o jongo.Viram que pra viver bastavam a luta e a alegria.
                                                      Senzala, com 1.55 de altura.
                                                               Escravos tinham entre 1.80 e 1.90 de altura
                                                     Classificados dos jornais da época
                                                Cofre onde eram guardadas cartas de alforria


A todos nós que temos sangue negro nas veias fica a lição de que se fazer de vítima quando se tem garra e voz não é o melhor caminho.
Concluo dizendo que a Fazenda dos Coqueiros é um belo tapa na cara dessas cotas raciais ou qualquer algo que diga que entre brancos,pardos e negros há diferença.Todos defecamos,precisamos de médicos e quando morremos apodrecemo e  viramos pó.
Palmas para minha mãe linda que nunca fraquejou,palmas para a  simplicidade de São José do Barreiro e palmas para os negros que deram e dão  vida a este país de homens fortes e trabalhadores.
Vamos lutar,vamos vencer!

5 comentários:

  1. Lindo texto Lillian... Parabéns mais uma vez!

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  2. Realmente essas pequenas cidades do Vale Histórico reservam a simplicidade de épocas passadas.Vale a pena visitar.Parabéns Lilian por mais esse belo texto e pela Guerreira "Dona Paula"

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  3. Me emocionou seu texto ,parabéns bjs Beth ( Fazenda dos Coqueiros)

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  4. Parabens Lilian amei este testo realmente tem coisas que nos traz muitas recordações é gostoso isso relembrar o passado,pois quantas coisas boas acontesseram parabens a sua Mamãe por ter nascido lá um abração

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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